12 de jul de 2010

A Origem do Vestido de Noiva

                                                                   ORIGEM


Entre os romanos a cerimônia de casamento era diferenciada das outras cerimônias civis através do traje, que era preparado unicamente para esta ocasião, quando a noiva vestia uma túnica branca e se envolvia com um véu de linho muito fino de cor púrpura. Nesta ocasião, a jovem arrumava o cabelo com tranças e ornava com uma coroa de flores de verbena. As flores, num casamento, sempre foram sinônimo de fertilidade.



Durante a Idade Média, a cristianização do ocidente trouxe novos costumes matrimonias. Carlos Magno, no ano 800 d.C tornou o casamento um sacramento religioso, com forte carga social e simbólica, carga esta, que em grande parte perdura até os nossos dias. Neste momento, a união dos cônjuges passou a se dar através de uma cerimônia religiosa que sacramentava a união de duas famílias e de seus patrimônios. O casamento então, teve como função garantir as fronteira dos novos reinos e reconstruir os territórios nacionais destruídos pela longa invasão bárbara à qual a Europa estivera submetida desde a queda do Império Romano, e também pelo abandono deste território devido às cruzadas.



                                                                VESTIDO DE NOIVA

Surgiu neste período com a função específica de apresentar para a comunidade as posses da família da moça. A noiva era apresentada com um vestido vermelho ricamente bordado e sobre a cabeça um véu branco bordado com fios dourados. O vermelho representava a capacidade da noiva de gerar sangue novo e continuar a estirpe. O véu branco falava da sua castidade. Os noivos, em geral, tinham ambos por volta de quatorze anos e no dia das núpcias a noiva deveria se apresentar com todas as jóias sobre o seu corpo e cabelo.

                                                           CASAMENTO CRISTÃO
 
O casamento cristão, que teve início na Idade Média, era uma cerimônia pública e acontecia na igreja por ser este o espaço mais público desta cultura. A tradição da cerimônia religiosa de casamento, que vivemos hoje, tem aí sua origem. No Renascimento, com a ascensão da burguesia mercantil, a apresentação da noiva se tornou mais luxuosa. A jovem esposa era apresentada em veludo e brocado, ostentando o brasão de sua família e as cores do herdeiro ao qual sua casa estava se filiando.
O uso da tiara passou a ser um adereço obrigatório e temos nela a ancestral da nossa grinalda. O uso dos anéis era de grande importância e representavam a possibilidade de uma dama viver sem precisar trabalhar na lida com as coisas da casa. No final do Renascimento, o código de elegância barroca foi determinado pelas cortes católicas de Espanha onde se estabeleceu o preto como a cor correta a ser usada publicamente como demonstração da índole religiosa de qualquer pessoa. Esta cor era aceita como adequada também para os vestidos de noiva, embora tenha sido neste momento que surgiu o vestido de noiva branco como novo padrão de elegância.

A primeira noiva a se vestir de branco foi Maria de Médici ao se casar com Henrique IV, herdeiro da coroa francesa. Maria, princesa italiana, mesmo sendo católica não comungava da estética religiosa espanhola, e assim, se mostrou em brocado branco como prova da exuberância das cortes italianas.


                                                 COR BRANCA, VÉU E FLORES
 
 
A Revolução Francesa aboliu o padrão de elegância luxuoso, próprio da aristocracia de terra, que existia desde a Idade Média e o substituiu por um padrão mais discreto, puritano e burguês de origem inglês. Este padrão valorizou a pureza de caráter como a maior qualidade da noiva, projetou sobre ela a cor branca como símbolo da sua inocência virginal. Acrescentou-se a este traje um véu branco e transparente como símbolo da sua castidade, preso à cabeça por uma guirlanda de flores de cera representando esta sua qualidade como condição natural de toda jovem de família. Neste momento é introduzido o uso do linho, da lã e de tecidos opacos como adequados para o vestido de noiva.
 
O governo de Napoleão também comungou deste ideal de simplicidade feminina, divulgando o estilo Império como um retorno à simplicidade da mulher grega. Napoleão decretou como idade legal para o casamento dezoito anos para as moças e vinte e um para os rapazes. O decreto teve origem na necessidade de manter os jovens de menor idade nas fileiras de seus exércitos.
 
                                                                 CERIMÔNIA CIVIL
 
Foi a partir de então que se tornou obrigatória à celebração da cerimônia civil do matrimônio, quando todos os casamentos deveriam ser registrados em cartório público. Josefina, esposa de Napoleão, foi a grande divulgadora da moda Império e, a partir de então, as noivas passaram a ter o branco como a sua cor símbolo definitiva.A partir da Revolução Francesa, o traje nupcial passou a ser branco e as variações que têm se dado, têm sido na esfera dos volumes, que variam de acordo com as modas correntes, sendo que o traje nupcial continua a obedecer à função de ser o mais luxuoso que uma moça usa, antes de se tornar uma senhora casada.




Como por exemplo, o vestido de noiva de Lady Diana Spencer.



A noiva do Romantismo teve seu modelo na Rainha Vitória, que se casou em 1840, com um vestido reinterpretado neste século pela Lady Diana Spencer, ao se casar com o príncipe Charles, atual herdeiro da coroa inglesa.


Em 1854, o papa Pio IX proclamou que as noivas deveriam demonstrar através do traje branco a Imaculada Concepção assim como Maria a Imaculada. Esta fala papal estabeleceu para a noiva do Romantismo um padrão católico que se estende até os nossos dias no imaginário popular delegando à virgindade um papel primordial para a qualidade da noiva.


                                                                         BUQUÊ


Esta noiva agregou à sua veste um adereço de mão que podia ser um terço ou um pequeno livro de orações porque, além de casta ela devia ser também religiosa. A noiva era uma flor, pura como um lírio, nobre como uma rosa ou delicada como uma margarida. O relicário de mão foi substituído por um buquê de flores naturais colhidas no dia da cerimônia.

A noiva modelo deste estilo foi Sissi, a princesa que se casou em 1854, com Francisco José, o imperador da Baviera. Sissi, a Imperatriz, se casou usando um buquê de rosas naturais.





                                                                       SÉCULO XX


Mas, sem dúvida , o vestido de noiva de Grace Kelly, Princesa de Monaco, foi o mais belo. O século XX estabelece um cerimonial novo para o matrimônio que se estende por todas as classes sociais idade legal no início do século era dezoito anos para a noiva e vinte e cinco anos para o noivo, sendo que dois dias antes da cerimônia religiosa o casal se casava no cartório da vila em traje de passeio. Após a cerimônia civil a noiva recebia em sua casa os familiares e amigos para um refresco e para exibir os presentes recebidos pelas bodas. Na noite anterior à cerimônia religiosa o pai do noivo enviava a courbeille nupcial acompanhada de uma jóia da sua família. À noiva que ultrapassava vinte e cinco anos era vetado o uso do véu,e desaconselhado o uso do vestido branco juntamente com a jóia familiar e qualquer pompa cerimonial




No século XX o traje nupcial acompanhou toda a evolução da moda, acompanhando o sistema de alta costura que vestiu todas as princesas do século e foi divulgado pelas revistas e figurinos de moda e posteriormente pelo cinema e pela televisão. Na década de 60, a noiva não precisava mais encomendar seu vestido, agora, o vestido de noiva pode ser comprado pronto, em muitos modelos. Neste período o rigor cerimonial caiu, mas a carga simbólica não diminuiu. Infelizmente devido a enorme influencia hippie, a verdade sacramental e linguagem religiosa foi perdida.




A recuperação da força da cerimônia matrimonial como a realização do sonho da moça que encontra seu príncipe encantado, se deu nos anos 80 com o casamento de Lady Diana Spencer com o Príncipe de Gales, futuro rei da Inglaterra em 1981. O traje desta cerimônia mostrou a tradição de elegância da realeza da casa de Windsor representado na releitura do vestido da Rainha Vitória e no uso do diadema real como símbolo medieval do patrimônio das famílias.

O matrimônio como instituição renasceu na década de 90, assim como sua história.

Se o vestido da noiva nasce como símbolo do patrimônio das famílias, da fertilidade da esposa e da paixão entre o casal, hoje estes símbolos estão sendo muito distorcidos, mesmo em famílias traducionais católicas. Mais do que nunca, estes vestidos têm sido apresentado com tecidos luxuosos, brilhantes e bordados e sua alta carga simbólica continua, porém não consegue representar o papel da mulher dentro da instituição do casamento (a santidade).

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